quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Aqui quase sempre, Quase..

É só.

Uma cidade de pouca luz. Pouca vida. Apenas um bocado de cucas. Palmeiras e ralas flores.

As ruas são em sua maioria preservadas. Pouco se roda/move/gira sobre elas. Pouca velocidade. Pouca 
curiosidade. Pouca criatividade.

Uma pequena grande cidade.

“Pequena no pior sentido. No sentido singular da palavra.”

Asfixia os que almeja voar com sua falta. Falta de tudo. 

Aqui se prioriza a massa, o padrão, o comum, a superfície, o externo, o lado de fora.

Ninguém olha para dentro, ninguém se olha. Ninguém troca.

É cinza. É tudo de um.  Não existe opção. “É branco ou branco, é preto ou preto, é pra direita ou direita”.

Neste “meu lugar” a cultura se esvai. Distrai-se com olhares admirados de outros lugares.

Já se foi a muito.. (Se é que um dia houve...)

Salvo raras almas que ainda tentam manter viva a chama da vida. Do ar. Da música. Da arte. Da individualidade (no bom sentido da palavra). Personalidade. Da dança. Da sensibilidade e do conteúdo próprio de uma cidade cada vez mais desapropriada.  

L.H.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

E foi no instante do olhar. Na suspensão do estar.

Presente.

Entregue.

Inteiro.

Que vi a lua - refletida em ti-

Sorrindo um sorriso de paz.





L.H.




Talvez a maior dificuldade de ‘ser’ está implícita no fato de sermos humanos.

Com vontades humanas.

Desejos humanos.

Sentimentos humanos.

Talvez, aceitando esta condição tão efêmera e tão relativa,

Cheia de atos falhos

E viciados.

Sejamos capazes de entender nossos “medos bobos e coragens absurdas”. (Clarice Lispector). 


L.H. sem aspas.


Agradeço-te por cada momento.

Não te espero no futuro.

Nem te cobro um passado.

Não te colorirei.

Não te fantasiarei.

Não te sonharei.

Claro que amarei,

Porque isto para mim é tão natural quanto existir.

Mas com você

Eu não esperarei nada

Além de um bem vivido agora.



L.H.



Prefiro ser a ter.

Prefiro ir a ficar.

Prefiro mudar a estagnar.

Prefiro voar a andar.

Prefiro viver a sonhar.

Prefiro ser e não saber.

Prefiro o talvez.



Agora,

Dependendo das circunstâncias posso preferir todos os contrários.





L.H.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Ensaio sobre o Perdão




Perdão eu te peço por toda minha imaturidade.

Pela minha ansiedade e conseqüentemente a dificuldade em entender o teu momento. O teu silêncio.

Não sabia me calar. Pois para mim era incômodo lidar com a ausência. Fosse de palavras, idéias. Sentimentos. Sensações.

Eu esperava uma reação a qual eu estava acostumada.

Algo que minha consciência, vivência, criação, meu ser... soubesse lidar. Soubesse associar.

Esqueci-me de olhar teu lado.

Não tive estrutura para te ajudar.

Pois olhava para mim. Esperava uma mudança externa. Rápida. Corrida.. (como sempre me falastes).

Não consegui enxergar, pois naquele momento meu horizonte limitava-se aquilo que até então tinha vivido e idealizado.

Hoje. Longe. Distante. Silenciada. Internalizada

Percebo, sinto. E peço perdão pela minha falta

Pelo meu egoísmo.

Egocentrismo.

Pelas minhas próprias mãos que nos sufocaram. Desestabilizaram. E me tornaram insensível a tua. Minha. Nossa. Humanidade.



L.H. à Girassol.

terça-feira, 16 de julho de 2013






Haverá tempos em que a dor nos moverá.

A dor de uma perda.

A dor de um amor que se perdeu.

A dor de não entender.

A dor de viver sem saber. (Em momentos que a razão predomina a emoção.)

Haverá dias em que nos sentiremos sós.

E a única coisa que nos acalentará será um abraço amigo, um sorriso alheio

Ou até uma xícara de café com canela; Papel e caneta para chorar tristes dizeres.

Agora, haverão momentos em que o amor nos moverá.

E quando isso acontecer haveremos de nos lembrar de que cada sofrer,

Cada entristecer; Anoitecer; Encolher.

Diminuirá e

Iluminar-se-á com a presença de nós mesmos, plenos. Inteiros e presentes.

Num presente que construiremos como queremos.


L.H.