domingo, 30 de novembro de 2014

Talvez eu devesse ter ido.

Talvez fugido.

Talvez eu.

 Quem sabe?!

Toda escolha descarta uma infinidade de possibilidades.

Gosto do sol. do pôr. do nascer do sol.

Gosto da sensação dos raios tocando. esquentando minha pele.

Hoje eu gosto.

Hoje não entendo porque não há o que entender.

Eu aceito e vivo plenamente.

Aceito minhas escolhas. E como disse Clarice:

Desisto

"A insistência é o nosso esforço. A desistência é nosso prêmio. Desistir tem que ser uma escolha. Desistir é o verdadeiro instante humano. É a escolha mais sagrada de uma vida inteira"

Hoje transformo minhas histórias em canções

Meus caminhos em cantares

Meu ser em poesia.

Hoje amo. e só amo porque não sei o que é amar.


L.H.




sábado, 19 de abril de 2014

Sobre o que se vai.

Deixo ir

Partir

Sucumbir.

Restam memórias desenhadas em um tempo,

que já (ou nunca) foi.

Que tempo é esse do desencontro? da ausência? da não comunicação.


Quando será o tempo do nosso tempo?

Quando será?


Qual será o tempo do perdão?

Qual será o tempo da gratidão?


Quem será que estará lá?


segunda-feira, 10 de março de 2014



Sou bixo estranho


Tal qual um barco.

Cheio de naufrágios. Cheio de inundações, passageiras ou não.

Cheio de buracos

Feito por pedra. Pedregulho.

Durante um ou outro mergulho

Nas profundezas da alma.

A proa é pintada.

O Casco decorado.

Uma fina camada de tinta e umas luzes que ascendem durante a noite. Com o único e exclusivo objetivo de localizar.

Devo confessar que tal figura sob uma noite de luar refletida em mar

Gera poesia até para os olhares mais oprimidos.

Mas é só raspar,

Cutucar.

Encostar.

Olhar profundamente,

Que verás que não há tinta que esconda tamanhos medos.

Que não há verniz que isole tantas lágrimas salgadas.

Que não há luz que sobreviva a rotineira escuridão.




Uma estrangeira do ir e vir. Uma estrangeira de si. Uma estrangeira da vida.  




L.H.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Meus dizeres já percorreram tantos lugares, tantos estados, tantos estares..

Já serviram de caridade para meu próprio caminhar.

Daqui para lá de lá para cá.

Já dançaram amores, desamores, devaneios, couve-flores.

tantos ritmos..

Já foram colírio.

Delírio.

Algo muito  próximo do alívio de se respirar

em paz.

Já foram ditas,

 malditas,

Na esperança de me esvaziar.

Minhas palavras,

(nunca minhas)

Sempre apenas,

demasiadamente

suficientes

palavras.

Moram hoje na complexa simplicidade de se viver / estar.


L.H.


E o que seriam dos amantes

Sem uma noite de luar.

E o que seria do ser

Sem o ato de sonhar.

E o que seriam das asas

Sem um céu para voar.

E o que seria de mim

Sem teus lábios para beijar.

Tuas mãos para tocar.

Teu intenso olhar;


Teu coração para pulsar.


L.H.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ensaio sobre a partida/ a chega/ a estadia/ e a moradia.



Oi.

Vim te dizer obrigada. Obrigada por acreditar em mim.

Obrigada por me apoiar. Sempre fomos duas. Só.

Sei do peso, muitas vezes fardo, que foi me carregar sozinha. Desde sempre.

Mas criastes belas pernas. Sonhadoras. Que decidiram sair andando por aí.

Criastes-me com asas. Asas grandes que nasceram para voar.  Por vezes, delicadas..

Em alguns percursos, dificuldades, obstáculos, viram-se meio depenadas.

Mas sempre soubemos curá-las juntas. Você as minhas e eu as suas.

Porque sempre fomos duas. Duas sonhadoras. Duas batalhadoras. Duas amigas. Duas pessoas que a vida sabiamente uniu como mãe e filha.

Mãe

 Prometo-te alçar voo nos mais altos céus.

Alcançar Nuvens. Auroras. Amanheceres. Arco- íris. Sol. Lua e estrelas cadentes.

Livre. Plena. Inteira.

 Digo-te isto, pois acho que sabes o que é o céu para mim?!

São as margaridas do teu jardim. Todo o teu amor e a fonte de inspiração que tu és até hoje para mim.

Prometo te estar verdadeiramente bem onde sempre quis estar.

De corpo alma e coração. Viva. Pulsante. Alegre. Radiante.

Hei de trazer acalento ao teu coração e brilho ao teu olhar,

Hei de transformar minha breve existência em poesia para te contar.

Hei de me tornar, por vezes, água para te refrescar.

E se hoje sorrio o sorriso mais pleno e sincero,

É porque tu me ensinaste a voar e ajudou-me a encontrar o caminho

Que estou a trilhar.

Digo-lhe:

 Trilhá-lo-ei com todo o amor. Força. Determinação. Emoção. Inspiração. Luz. Fé

E sempre,

Sempre

Gratidão.





Juntas,
Para sempre.
Da pessoa que mais te ama neste mundo.

Louise ‘Mopi’.



quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


Vivo neste momento em pleno movimento de amar. Num intenso impulso de tocar. Acariciar.Sentir.Semear.

Semeio sementes que me dedico, desde já, a cuidar com todo o amor que há.

São nossas. Tão nossas. Cada dia mais íntimas,
 mais próximas.

São sementes de frutos já colhidos. Já vividos e entendidos.

Frutos esses que saudosos geraram mais sementes para plantarmos.

Sementes de amor
cheias de cor, vida e sabor.

Que quero colher ao lado teu, encanto meu, que canta o som de nós dois. 



L.H.
Aqui quase sempre, Quase..

É só.

Uma cidade de pouca luz. Pouca vida. Apenas um bocado de cucas. Palmeiras e ralas flores.

As ruas são em sua maioria preservadas. Pouco se roda/move/gira sobre elas. Pouca velocidade. Pouca 
curiosidade. Pouca criatividade.

Uma pequena grande cidade.

“Pequena no pior sentido. No sentido singular da palavra.”

Asfixia os que almeja voar com sua falta. Falta de tudo. 

Aqui se prioriza a massa, o padrão, o comum, a superfície, o externo, o lado de fora.

Ninguém olha para dentro, ninguém se olha. Ninguém troca.

É cinza. É tudo de um.  Não existe opção. “É branco ou branco, é preto ou preto, é pra direita ou direita”.

Neste “meu lugar” a cultura se esvai. Distrai-se com olhares admirados de outros lugares.

Já se foi a muito.. (Se é que um dia houve...)

Salvo raras almas que ainda tentam manter viva a chama da vida. Do ar. Da música. Da arte. Da individualidade (no bom sentido da palavra). Personalidade. Da dança. Da sensibilidade e do conteúdo próprio de uma cidade cada vez mais desapropriada.  

L.H.