domingo, 19 de maio de 2013



Enquanto escrevo sinto que me falta calor.

Algo quente em que possa acalentar minhas mãos. Meu pescoço nu. E minha voz silenciosamente só.

Trago para perto de mim a xícara de chá. Maça com canela. É quente.

Com isto aqueço minhas mãos. Meu peito. Meu coração.

Ao som suave que envolve meu corpo. Mente e espírito.

Visualizo-me em movimento. Deslizando por entre tais notas.

Dançando o som que quebra o silêncio absoluto da noite.

Vejo a pintura inexistente.

Ouço a palavra não proferida.

Desloco-me até a lua e sinto meus pés tocando seu solo frio e arenoso.

Bebo o chá quente. Esta é o única coisa concreta que me liga a este momento imaginado.

E o que escrevo? Não saberia dizer se são palavras ou sensações personificadas do meu profundo momento de epifania.

O chá esfria. 


L.H.

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