Enquanto escrevo sinto que me falta calor.
Algo quente em que possa acalentar minhas mãos. Meu pescoço nu.
E minha voz silenciosamente só.
Trago para perto de mim a xícara de chá. Maça com canela. É
quente.
Com isto aqueço minhas mãos. Meu peito. Meu coração.
Ao som suave que envolve meu corpo. Mente e espírito.
Visualizo-me em movimento. Deslizando por entre tais notas.
Dançando o som que quebra o silêncio absoluto da noite.
Vejo a pintura inexistente.
Ouço a palavra não proferida.
Desloco-me até a lua e sinto meus pés tocando seu solo frio
e arenoso.
Bebo o chá quente. Esta é o única coisa concreta que me liga
a este momento imaginado.
E o que escrevo? Não saberia dizer se são palavras ou sensações
personificadas do meu profundo momento de epifania.
O chá esfria.
L.H.
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